terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não Tenha Medo do Escuro [2011]



Um dos filmes mais aguardados do ano, remake de um filme americano feito para a TV com o mesmo título, "Don't be afraid of the Dark", trata-se de uma produção do sempre excelente Guilhermo del Toro, que também asssina o roteiro.

Não sei se as minhas expectativas com este filme eram demasiadas, mas, a produção não conseguiu superá-las. É aquela coisa: "Nossa, Del Toro assinando roteiro e produção, deve ser o máximo".

Na verdade o filme não deixa a desejar não. Trata-se de uma produção muito bem cuidada, com um roteiro bem elaborado (embora um pouco lento). Isso sem contar a fotografia do filme que é muito boa também.

O roteiro gira em volta da menina Sally (Bailee Madison), que vai morar com o seu pai em uma casa muito antiga, cujo antigo dono desapareceu em circustãncias misteriosas. Lá, a pequena Sally conhece a nova noiva de seu pai, Kim (Katie Holmes), que a menina já de cara não gosta. A menina vê sua madrasta como alguém que quer tomar o lugar de sua mãe, criando conflitos entre ela e o pai Alex (Guy Pearce).

Em um dos passeios da pequena Sally, ela descobre que na casa existe um porão, cujo pai e madrasta não sabiam que existia até então. E vão todos explorar o local, onde segredos bem obscuros do antigo morador da casa (alguma coisa já é mostrada no prólogo do filme) estão escondidos.

A menina passa a ouvir criaturas misteriosas, que não gostam de luz e que dizem querer amizade. Com o passar do tempo, a pequena Sally percebe que as criaturas não querem a sua amizade, são criaturas do mal, então conta a seu pai, que (obviamente) não acredita nas histórias da menina.

Há quem diga que o filme tem alguma coisa de "O Labirinto do Fauno". Eu, particularmente, não achei nada além de o filme ter criaturas mitológicas. Mas, se formos comparar todo e qualquer filme que tenha criaturas que não existem com o excepcional "Laberinto del Fauno", chegaríamos a uma lista imensa e nenhum deles certamente teria qualquer ligação além das criaturas.

Talvez por Del Toro ter assinado o roteiro e a produção, espera-se do filme um outro Labirinto do Fauno. Não adianta esperar, Labirinto foi único e penso que seu diretor não pretende bater na mesma tecla várias vezes, mesmo porquê estamos falando de um diretor/produtor/roteirista extremamente original, e muito profissional.

Eu classificaria o filme como bom. Os atores estão muito bem no filme, em especial Guy Pearce e Holmes. A fotografia (como já disse) é muito bem cuidada, a direção é eficiente e obviamente, a produção e roteiro de del Toro são excelentes.

Talvez del Toro peque um pouco (mas bem pouco) no roteiro por ter apresentado as criaturas logo, antes mesmo da metade do filme. Mas, é um pequeno deslize que podemos relevar. As criaturas por sinal são ótimas, o que nos mostra efeitos visuais muito bons também.

Não acredito que se as criaturas tivessem sido trocadas por espíritos dariam um up ao filme. Acredito que filmes com assombrações temos aos montes por aí, agora, filmes como este não. ponto para del Toro novamente.

Não escondo de ninguém a minha admiração por Guilhermo del Toro. É um dos meus diretores favoritos certamente. O que preciso aprender é não criar expectativas demasiadas com os filmes cujos meus diretores favoritos estão envolvidos.

No mais, "Don't be Afraid of the Dark" merece ser visto. É o tipo de filme que certamente agradará a todos os públicos, adultos e crianças (lembrando que a classificação é 12 anos). Consegue prender a atenção do início ao fim e não tem um final previsível (como a maioria dos filmes do estilo costumam ter).

Vale ressaltar que não se trata de um filme de terror daqueles apelativos, é bem pelo contrário, às vezes parece até um filme infantil (será mais uma coisa a ser comparada com O Labirinto do Fauno?), mas, também não é. Aqui existe drama e um terror psicológico, onde se explora o real e o fictício.







Imagens do Filme:































Ficha Técnica do filme:



Diretor: Troy Nixey
Elenco: Guy Pearce, Katie Holmes, Bailee Madison, Alan Dale, Edwina Ritchard, Lisa N Edwards, Bruce Gleeson, Garry McDonald, Carolyn Shakespeare-Allen, Jack Thompson
Produção: Mark Johnson, Guillermo del Toro
Roteiro: Matthew Robbins, Guillermo del Toro
Fotografia: Oliver Stapleton
Trilha Sonora: Marco Beltrami
Duração: 101 min.
Ano: 2011
País: EUA/ Austrália
Gênero: Terror
Cor: Colorido
Distribuidora: Vinny Filmes
Estúdio: Miramax Films / Tequila Gang
Classificação: 12 anos









Trailer do filme:

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Morro dos Ventos Uivantes [2009]



Difícil pra mim, fã de carteirinha do romance de Emily Bronte, "Wuthering Heights", aqui no Brasil conhecido como "O Morro dos Ventos Uivantes" falar de uma adaptação cinematográfica do livro.
Sabemos que várias adaptações já foram feitas e que a de maior sucesso é de fato a clássica, dirigida por Willian Wiler, no ano de 1939 e, tendo como protagonistas os atores Laurence Oliver (como Heathcliff) e Merle Oberon (como Cathy). O filme de 39 é superior à vários de seus sucessores, nos mais diversos aspectos: A produção é extremamente bem cuidada, o roteiro é muito bom, os atores são ótimos, enfim, trata-se realmente de um clássico do cinema.
O que este pioneiro peca é justamente na elaboração do roteiro (que apesar de bom), não avançar além do capítulo 17 da obra de Bronte.
Com esse buraco enorme na história, perde-se muito da essência dos personagens, do sentido. Acredito que, àqueles que não tiveram a curiosidade de ler o livro, possivelmente não irão gostar do filme de 1939, exatamente por (apesar de ser uma obra-prima, indiscutivelmente) ser incompleto.
Mas podemos dar um desconto à ele levando em condideração o ano de produção, a excelente atuação dos atores. Não seria tão simples adaptar uma obra tão complexa, como "Wuthering Heights" para o cinema. Para manter-se o máximo possível fiel ao livro, seria preciso um filme de no mínimo três horas de duração, e bem sabemos que a indústria cinematográfica não gosta de filmes tão longos assim.
No ano de produção da primeira adaptação de "O Morro dos Ventos Uivantes" não era diferente. O resultado final foi de menos de duas horas de filme, com um roteiro tirando o que julgavam de essencial para o filme e nada mais.
Outras produções foram realizadas (também com tempo de duração inferiores à duas horas), inclusive um com a Julianne Moore no papel de Cathy e de sua filha (o que foi um equívoco). Mas, não nos cabe aqui analisarmos em um post só todas as adaptações do livro para o cinema, pois, nos focaremos nesta obra mais recente.
"Wuthering Heights" em questão foi feito para a TV. Triste, pois não levou a obra a todos os cantos do mundo, não saindo nem em DVD além dos EUA.
Esta mais recente versão é bastante fiel ao livro de Bronte, pelo menos a mais fiel que pude ver até agora (não ví todas elas).
Trata-se de uma produção luxuosa que certamente agradará aos fãs de cinema, mesmo àqueles que porventura não tenham lido o livro, afinal, este é mais esclarecedor e consegue captar bem o romance da escritora inglesa.
Em mais uma adaptação inglesa, esta sob a direção de Coky Giedroyc e como protagonistas os atores Tom Hard (como Heathcliff) e Charlotte Riley (como Cathy), com uma belíssima fotografia, excelentes locações e figurinos muito bons, tenta-se, mais uma vez, aproximar-se do romance de amor e ódio de Emily Bronte.
O roteiro não segue o livro exatamente, coisa que achei bastante interessante. Ao invez de começar com o inquilino do Sr. Heathcliff indo fazer-lhe uma visita (a primeira delas), este aqui, já têm início com alucinações de Heathcliff e, parte para a chegada de seu filho, o choroso e caprichoso Linton.
A propósito, nesta versão não existe o Sr. Lockwood, o inquilino de Heathcliff, interessado em saber da história dele.
Não, nesta versão só contamos com Nelly Dean, a senhora que foi criada com Hindley e que (no livro) é a quem conta toda a história de amor e ódio entre Heathcliff e Cathy.
Certamente a ausência do Sr. Lockwood faz falta para os fãs do romance mas, a produção não foi prejudicada com esta ausência, uma vez que trata-se de um personagem secundário, utilizado pela autora como um ouvinte da história de Nelly Dean.
Reza a lenda que Bronte quis homenagear uma de suas criadas, que tinha o costume de contar histórias, criando a personagem Nelly Dean.
Esta produção ultrapassa um pouco a duração das demais adaptações da obra de Bronte e, consequentemente, consegue pegar uma parcela maior do livro.
Não se trata, no entanto, de uma super produção que podemos dizer ser a definitiva, em absoluto. Apesar de se tratar de um bom filme, dos atores estarem bem, do roteiro ser bem feito, etc, existe a necessidade de um longa para os cinemas.
Há tempos há rumores de que uma nova versão de "Wuthering Heights" estaria em fase de pré-produção. Se o filme sairá logo, não temos como saber mas, é fato que mais versões virão e, nós, fãs dessa obra tão intensa, torcemos para que escolham os atores certos, um diretor à altura e que dêem a produção o que ela merece: Uma adaptação digna. Que seja longa, não há problema, mas que não cometam novamente o "pecado" de cortarem partes imortantes da história.
Podem dizer que "Wuthering Heights" é doentio, que ele choca até os dias de hoje pela sua alta carga emocional, aqui, amor e ódio passeiam lado a lado. De fato, o romance não é para qualquer um, mas, que a história de amor (única) escrita por Emily Bronte (que morreu aos 30 anos, reclusa em sua casa no interior da Inglaterra) é emocionante e que suas páginas serão folheadas por gerações e gerações de jovens e adultos, não podem discutir.
A única coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha nesta produção foi a morte de um dos protagonistas (não vou dar nome, vai que alguém ainda não conhece a história).
Só esta sequência consegue acabar com boa parte da magia, em especial pra quem leu o livro.
Enfim, eu recomendo!






IMAGENS DO FILME