
O diretor, roteirista e produtor americano Sam Raimi

Cena de "Evil Dead - A Morte do Demônio"
Ele arrasta multidões para os cinemas com suas versões cinematográfica para "Spider Man", dos quadrinhos da Marvel.
Com produções milionárias, Raimi cativou o público com seus efeitos-especiais, romance e muita ação com o personagem Peter Parker.
O que muita gente não sabe é que ele começou com um estilo completamente diferente de fazer cinema, com a trilogia "Evil Dead".
Fã de filmes de horror, Raimi produziu aquilo que ainda hoje é considerado por muitos o mais assustador filme de horror de todos os tempos. Estamos falando de "Evil Dead", aqui no Brasil lançado como "Evil Dead - A Morte do Demônio".
O filme teve um orçamento muito modesto, Raimi teve que literalmente "suar a camisa" pra conseguir a verba pois não contou com patrocínio e nem aval de nenhuma empresa cinematográfica de grande porte na época. Os atores são todos completos desconhecidos, o único que teve relativo sucesso (depois do lançamento) foi o protagonista Ash (Bruce Campbell) pois continuou a parceria com Raimi nas duas sequências do filme.
"Evil Dead" é de fato um ótimo exemplar de filme de horror, aliás, toda a trilogia é fantástica! Prova da teoria de que dinheiro não tudo, pelo menos se tratando de cinema não é. Sam Raimi conseguiu a proeza de criar um filme que marcou uma época, chegando ao status de cult movie.
"Evil Dead" foi tão impactante ao público que ganhou duas sequências e mantém o status de "cult movie" até os dias de hoje. Foi uma das fitas mais vendidas da sua época e virou febre entre os fãs do cinema de horror.
No entanto, "Evil Dead" é muito peculiar à maneira de filmar de Raimi. Ele mescla horror com uma pitada de humor como ninguém.
Se analisarmos os filmes nos dias atuais, de fato ainda causará medo. A maneira amadora de filmar, disprovida de pudores, "Evil Dead" foi mais ou menos um tiro no escuro que deu certo. Ou melhor, deu mais do que certo! Não fosse por ele, seria bem provável que Raimi não estaria no patamar de diretores que se encontra hoje. O filme firmou definitivamente o nome do diretor, fazendo com que o mesmo passasse a ser aclamado pela crítica e público.
Enfim, penso em criar um post pra falar especificamente da trilogia. Mas de antemão já digo que vale (e muito) a pena conferir.
Esta nota introdutória diz respeito ao filme que pretendo falar a seguir. Depois da trilogia "Evil Dead", Raimi passou por diversos gêneros e obteve grande sucesso com algumas outras produções (caso de "Darkman", por exemplo) mas só passou a voltar mesmo ao grande sucesso com "Spider Man".
Destacam-se em sua obra (além de "Evil Dead" e "Spider"): "Darkman" e "O Dom da Premonição". Este último um excelente exemplar de suspense, totalmente fora dos padrões de horror do qual iniciou sua carreira. Aqui, o verdadeiro "horror" encontra-se no psicológico. Ótimas atuações e uma boa direção, vale a pena ser visto também.
Raimi passou também pela comédia e drama no decorrer de sua carreira, até se encontrar definitivamente com as mega-produções.
Enfim, Raimi volta às origens em 2009 com o lançamento de "Drag Me to Hell" (aqui, "Arraste-me para o Inferno).
Fui conferir o filme assim que pude! Imagina, a volta do mestre criador de um estilo de filmar (que foi muito copiado posteriormente por sinal), de um marco da história do cinema ao seu estilo primeiro? Não poderia perder esta!
Os moldes são praticamente os mesmos. Na produção, Raimi não se preocupou com orçamento e o custo da produção é razoavelmente baixo para os padrões atuais. Os atores são também praticamente desconhecidos, mas foram bem escolhidos (claro!).
O demônio volta à arte de Sam Raimi, aqui, em forma de uma espécie de maldição (ou uma praga rogada a outro).
Uma velha senhora vai a uma seguradora pedir uma verba para reforma de sua casa, já hipotecada. A funcionária que a atende encontra-se numa luta frenética para subir de cargo na empresa, correndo sérios riscos de perder a promoção para um novato.
Quando a senhora vem à ela pedir o auxílio a mesma já lhe diz que não é possível, pois a hipoteca ja encontra-se alta e ainda avisa que a mesma corre o risco de ter sua casa leiloada e vendida, afim de pagar os empréstimos.
Insistindo muito, a moça resolve falar com o seu chefe sobre a situação. De início se compadece da dor daquela senhora que, se despejada, não teria onde morar. Seria jogada na rua.
O chefe então diz a ela que não podem abrir excessões, que a mulher já esta devendo demais. Mas, no entando, colocaria em suas mãos a decisão.
Afirma ainda que tal decisão poderia ser de suma importância a ocupação de um cargo superior, cobiçado pela moça.
Dividiva entre a ganância e a compaixão, ela nega novamente à senhora o empréstimo requisitado.
Aí então é que a senhora humilha, pedindo-lhe de joelhos que a ajude.
Não dando atenção, a moça chama os seguranças e a velha cai no chão. Visivelmente envergonhada, acusa a moça de tê-la envergonhado subjugando-a daquela maneira...
A partir daí, surge uma das cenas mais impactantes do filme: A cena do estacionamento.
Quando a moça termina seu horário habitual, vai até o estacionamento e depara-se com a velha esperando por ela.
A sequência é MUITO típica e peculiar de Sam Raimi, ele brinda aos fãs com seu misto de humor negro com sustos (e que sustos!) e o horror explícito.
A velha lança-lhe uma maldição, maldição esta que o próprio demônio virá buscá-la e levá-la para o inferno em poucos dias, não sem antes perturba-la ao extremo.
A história se desenvolve assim então. A moça encontra um vidente que diz o que acontece com ela e tenta ajudá-la. Os conflitos pessoais aparecem, a moça vai enlouquecendo literalmente no decorrer do filme.
E em todo o filme, em cada parte há sustos e exageiros bem à maneira do diretor.
Quem não conhece a obra original, o princípio da carreira do diretor, pode até não gostar tanto e achar muitas das cenas absurdas. De fato, algumas são mesmo absurdas ao extremo...mas é intencional, foram escritas pra serem assim mesmo, mantendo o diretor no seu "gênese" original, do qual promete (e cumpre) brindar os fãs.
"Drag Me to Hell" é uma "volta" triunfal de Raimi ao cinema de horror. Claro que não se sabe se essa volta é definitiva, creio eu que não. Mas nos resta torcer que ele volte (mesmo que de vez em quando) a nos brindar com filmes desse estilo sempre que possível. Os fãs de terror agradecem!
A propósito, faziam anos que eu não via um filme de terror que me chamasse tanta atenção assim. Subestimado pela crítica (claro!) é modesto, não teve lá tanto sucesso assim nos cinemas mas, cumpre aquilo que promete! "Drag Me to Hell" da medo, muito medo. Ao mesmo tempo que nos faz rir também, prende a atenção do início ao fim.
Apesar de orçamento também modesto, não podemos comparar com o "Evil Dead" em $$ né. Os tempos são outros, os efeitos-especiais estão ligeiramente avançados enquanto na época deste primeiro não se tinham muitos recursos.
Enfim, sangue mesmo no final das contas o diretor pareceu deixar um pouco de lado desta vez. Não se vê aquela enxurrada desmedida de sangue e aberrações como vimos na produção primeira do diretor, mas o talento e o padrão de qualidade permanecem os mesmos.
Vale a pena ver o filme. Mesmo quem não conhece a trilogia citada acima, mas, com a ressalva de que, para gostar do filme em questão é necessário apreciar thriller de horror. Acredito que isso apenas basta...
Não precisa ser aqueeeeeele fã de filmes de terror também não. Um bom fã de suspense deve gostar da produção também.
Sustos, exageros, boas atuações e direção (sempre) impecável fazem de "Arraste-me Para o Inferno" um dos filmes de terror mais interessantes dos ultimos tempos.

Algumas imagens da produção:




Ficha Técnica do filme: Arraste-me Para o Inferno
Título Original: Drag Me To Hell (EUA, 2009)
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi e Ivan Raimi
Produção: Grant Curtis, Sam Raimi e Robert G. Tapert
Estúdio: Buckaroo Entertainment
Distribuição: United Internacional Pictures
Elenco: Justin Long, Alison Lohman, Fernanda Romero, Bojana Novakovic, David Paymer, Chelcie Ross, Jennifer C. Sparks, Octavia Spencer, Reggie Lee, Adriana Barraza, Lorna Raver, Joanne Baron, Bonnie Aarons, Dileep Rao.
Trailer do Filme